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Malefícios e Bençãos Da Língua 

Malefícios e Bençãos Da Língua 
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Uma mocinha declinou da corte que lhe fazia um jovem de reputação duvidosa. Este se vingou, caluniando a honra e inocência da menina, Por toda a pequenina cidade circulou o rumor malfazejo: “Você já ouviu o que ela fez? Quem pensaria isso?”

Ninguém, entretanto, perguntava: “Será verdade isso?” A jovem notou que um grupo de pessoas falando animadamente, quando a viam chegar logo se calavam. Afinal ela perguntou a alguém o que era que havia. Assim veio a saber de tudo.

Com isso ficou tão assustada, que não saia mais de casa, e retirada em seu quarto se pôs meditativa e ensimesmada até que anoiteceu em seu espírito. E assim, privada da razão, lançou-se num rio e se afogou.

Quem é o culpado dessa tragédia? Aquele jovem que pôs em circulação a calúnia. Sim, foi aquele rapaz! E quem mais? Todos aqueles respeitáveis senhores e senhoras que tão ansiosos estavam por indagar: “Você já ouviu?…”

Mais triste ainda é outro caso:

Faz alguns anos devia ser executado, em uma grande cidade comercial, um ladrão e assassino. Rogou decididamente que, antes de ser executado, pudesse falar com seu antigo chefe, um comerciante rico e muito considerado.

Se bem que isso lhe fosse muito desagradável, o comerciante satisfez o desejo de seu antigo empregado. Ao chegar à cela do condenado, começou:

– Pobre infeliz, como foi possível que cometesse tamanho crime? Nunca eu imaginaria que chegasse a esse ponto!…

Mas o antigo empregado respondeu:

– É por isso mesmo que eu lhe desejava falar. Só queria lhe dizer que o senhor é culpado de eu ter que morrer assina. O que sou agora tornei-me pelas conversas levianas que tinha que ouvir quando, em sua casa, eu servia a visitantes ilustres.

Ali escarneciam da minha fé no Deus vivo, na vida futura e no juízo divino, de tal modo que me tornei descrente. Com isso privaram-me do apoio que me mantinha moralmente ereto. Assina fiquei sem a força contra as tentações que me assediavam. E assim resvalei mais e mais…

É verdade que nem sempre nossa língua perpetra males tão graves. Mas será que nossa fala é sempre isenta de todo mal? Em casa outro dia prometemos mutuamente não falar mais dos outros, especialmente em sua ausência. Ficamos assustados com o número de vezes que um de nós teve que lembrar ao outro a nossa promessa!

O missionário Golze conta que, anos atrás, ficou conhecendo um homem possuidor de grande senso de justiça. Um aspecto de sua vida especialmente impressionara o missionário.

Ele nunca tolerava que em sua presença se falasse mal de um terceiro. Mal começava alguém uma conversa dessas, e o homem lhe dirigia três perguntas:

A primeira era: “O senhor tem plena certeza disso que está dizendo?” Na maioria dos casos a pessoa assim interpelada, respondia: “Bem, naturalmente não tenho certeza absoluta. Mas a Sra. X me contou, e ela ouviu do Sr. Y, que ouviu de alguém que sabe do caso.”

“Meu amigo”, dizia então, “não volte a falar nesse assunto a ninguém, em hipótese alguma!” Se a pessoa respondia: “Sim, eu tenho certeza; eu mesmo vi, ou até ouvi da própria boca dele”; então o homem fazia a segunda pergunta, que era: “O senhor já falou pessoalmente com essa pessoa, dizendo-lhe que se escandalizou com sua conduta, ou avisando-a que tal coisa dela se diz, ou foi o senhor muito covarde para isso fazer?”

A resposta na maioria das vezes era: “Isso naturalmente não fiz ainda.” “Mas é o que o senhor devia fazer! Seria bom que falasse com ele primeiro, pois o caso diz respeito a ele.” Se alguém dissesse: “Não tenho coragem para falar com a pessoa, é muito penoso para mim”; e então vinha a terceira pergunta: “O senhor quer que eu fale com a pessoa, e lhe diga o que o senhor acaba de me dizer dela?” Tal coisa naturalmente ninguém desejava.

E assim meu amigo ficava livre de ouvir muito disse-que-disse, pois ninguém que tivesse ido a ele para falar de alguém voltava segunda vez.

Ah, se pudermos aprender a aplicar esta receita! Muita infelicidade será então evitada.

Dizia Lutero: “Seja a tua boca uma boca do Espírito de Cristo!”

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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