Estudos Bíblicos

Testemunhos da Palavra de Deus quanto à Ruína

Testemunhos da Palavra de Deus quanto à Ruína
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

O Senhor e, depois dele, os apóstolos não nos tinham deixado ignorar que o mal se introduzia na nova ordem de coisas que ia estabelecer-se e que devia, por algum tempo, substituir Israel como testemunha de Deus sobre a Terra. Nada de tão grande nem de tão precioso aos olhos e para o coração do Senhor existe como a Igreja ou a Assembléia, segundo os eternos desígnios de Deus.

Ela é o templo santo que se ergue, formado de pedras vivas e fundado sobre o Filho de Deus. Ela é o corpo de Cristo, a plenitude diquele que enche tudo em todos. Ela é a pérola de grande preço: ele deixou tudo, deu-Se a Si próprio para a adquirir.

Ela é a Sua esposa, a qual Ele ama, alimenta, santifica e apresentará a Si mesmo sem mancha. Tudo isso já existe no que diz respeito aos verdadeiros crentes e terá, dentro em pouco, a sua perfeita e completa realização na glória.

Considerando a Igreja na sua existência e na sua conduta neste mundo, a sua administração foi confiada ao homem e entregue à sua responsabilidade, como aliás, tem sucedido sempre nas diferentes dispensações de Deus sobre a Terra. Todavia — fato doloroso de verificar, mas inteiramente evidente — o homem tem falhado sempre quando Deus coloca algo sob sua responsabilidade.

O primeiro homem, que devia guardar o jardim do Éden,* deixou-se seduzir; Noé, salvo para ser o novo tronco da raça humana, depois de os homens ímpios terem sido tragados pelo dilúvio.

Noé, a quem Deus confiara as rédeas do governo, embriagou-se e caiu; Israel, povo escolhido do Senhor para manter a verdade da unidade de Deus no meio das nações idolatras, entrega-se à adoração de um bezerro de ouro; o sacerdócio, estabelecido para a manutenção das relações entre Deus e o povo, tomba nas pessoas de

Abiú e de Nadabe, que oferecem fogo estranho; a realeza, que devia conduzir o povo no caminho da justiça, arrasta-o para o culto das falsas divindades; e a Igreja, responsável fazer brilhar na Terra a luz de Cristo e de nela manifestar a Sua vida — uma vida celeste —, falha também na sua alta vocação e vem a dar na coisa mais corrompida entre todas as coisas corrompidas, e tanto mais culpável quanto tem gozado de maiores privilégios.

As Parábolas do Reino dos Céus

O Senhor tinha já anunciado esta introdução do mal nas parábolas do reino dos céus, que lemos em Mateus, capítulo 13. Jesus tinha sido formalmente rejeitado pela nação judaica, representada pelos seus chefes (Mt 12:14 e 24).

Por isso o Senhor rompe todas as relações messiânicas com ela e já não reconhece por Seus senão aqueles que fazem a vontade de Seu Pai, unindo-se a Ele (Mtl2:46-50; Jo 6:29). Apresenta-Se então, no capítulo seguinte, semeando a Palavra de Deus nos corações, e mostra os diferentes resultados produzidos por essa obra, segundo o estado da alma e a maneira que ela recebe a Palavra.

Nas três parábolas seguintes, o Senhor faz-nos conhecer o aspecto exterior que tomará o reino dos céus durante a ausência do Rei que foi rejeitado, e a maneira que ele se estabelecerá. A parábola do joio ensina-nos que no campo, que é o mundo, o Senhor não tinha semeado senão boa semente, isto é, os filhos do reino, aqueles que lhe pertencem de verdade.

Mas, por seu lado, o inimigo, o diabo, semeou o joio, os filhos do mal, entre o bom trigo, aproveitando-se, para tanto, da negligência dos servos do Senhor. E esses filhos do mal não são nem os pagãos nem os judeus, que já existiam quando o reino foi estabelecido.

O joio representa um mal introduzido por Satanás no meio dos cristãos. Depois de ter sido semeado o bom trigo, o joio se acha no meio. Os judaizantes, os falsos mestres, os heréticos em breve surgiram e difundiram as más doutrinas, afirmando, contudo, professarem o cristianismo.

Tal é o aspecto do reino sobre a Terra, o que testemunha a incapacidade do homem para guardar em pureza o que lhe fora confiado. E esse estado de mistura do bem e do mal podemos facilmente verificá-lo.

Poderemos nós trazer remédio contra o mal? Não. O Senhor ensina-nos que as coisas continuarão assim, sempre de mal a pior, até chegar o tempo final da ceifa.  julgamento será então executado sobre os maus, e o bom trigo recolhido no celeiro.

As duas parábolas que se seguem apresentam também o aspecto exterior do reino. Na primeira vemo-lo na figura de uma grande árvore, proveniente de uma pequenina semente. Com efeito, os começos bem fracos do cristianismo, como se sabe, foram seguidos de um crescimento rápido e surpreendente em grandeza e extensão.

Em menos de três séculos havia ultrapassado já os limites do vasto Império Romano e não cessou de se expandir. Tornou-se uma grande árvore, na linguagem figurada das Escrituras (veja-se Dn 4:20-22; Ez 31:3-6). Mas esta árvore abriga as aves do céu.

E uma mistura também, e é de notar que, em geral, as aves são consideradas símbolos do mal. “As aves” descem sobre o sacrifício oferecido por Abraão, e o patriarca deve enxotá-las (Gn 15:11). “Como uma gaiola cheia de pássaros”, diz Jeremias, “são as suas casas cheias de engano” (Jr 5:27).

E na parábola do semeador, as aves são a imagem do mal, que arrebata do coração a Palavra do Senhor. Assim o cristianismo, tendo chegado a ser um grande poder sobre a Terra, abriga toda espécie de heresias, de erros e de homens que os sustem, e grande número de incrédulos. A parábola seguinte é a do fermento, que estende a sua ação a toda a massa pura.

Ora, o fermento não é o evangelho enchendo o mundo, porque, por um lado, o mundo corrompido não representa a farinha — uma coisa pura — e, por outro lado, o fermento, na escritura, é sempre símbolo de uma coisa má (Mt 16:11,12; 1 Co 5:6 e 8; G15:9). Não se trata, portanto, do evangelho. A massa sem fermento é o que Deus estabeleceu, e o fermento é o que o homem ali introduziu e vai estragar tudo.

Nessas três parábolas, o Senhor dá-nos a conhecer que o mal, pela ação do inimigo e pela negligência dos servos de Deus, se introduziria no reino que ia estabelecer-se sobre a Terra na ausência do Rei, e que esse mal se estenderia e não mais teria fim, a não ser na hora do juízo final.

O apóstolo Paulo é também muito claro e positivo acerca deste assunto.

Despedindo-se dos anciãos da igreja de Efeso, mas abarcando no seu pensamento toda a igreja, anuncia que, depois da sua partida, quando a sua autoridade apostólica e a sua energia pelo Espírito já lá não estiverem para refrear o mal, esse mal se introduzirá de maneira dupla: “Eu sei”, diz ele, “que, depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho.

E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas para atraírem os discípulos após si” (At 20:29-30).

Era, portanto, ao mesmo tempo de fora e de dentro que viriam os que haviam de corromper a Igreja. E era dentre eles mesmos, cujo cargo era o de apascentar e guardar o rebanho, que haviam de sair os falsos mestres! Não foi precisamente isto o que sucedeu e que ainda hoje vemos na cristandade?

Em 1 Coríntios 3:7-9, o apóstolo mostra-nos a construção do edifício de Deus, confiado ao homem, como instrumento dEle. Paulo, como sábio arquiteto, pôs o verdadeiro e único fundamento que podia ser posto, ou seja, Jesus Cristo.

Outros edificam sobre esse fundamento, porém cada um tem de considerar que materiais emprega na estrutura do edifício. Há os que trazem bons materiais, há outros que introduzem materiais sem solidez e sem valor, e outros ainda que corrompem o templo de Deus. E isto é, com efeito, o que tem sucedido e tem causado a ruína do edifício.

Se considerarmos 1 Timóteo 4:1-3, veremos ali anunciado o abandono da fé por alguns. Seduzidos pelo inimigo, cuja voz escutaram, deixaram as verdades que são os objetos da fé, e substituíram-nas pelos seus próprios ensinamentos — ensinamentos estes contrários ao que Deus estabeleceu e introduziu — sob o pretexto e a pretensão de assim chegar a uma santidade maior.

Quem não vê nisto os erros de Roma a respeito do celibato e do ascetismo?

2 Timóteo 3:1-5 revela um mal geral, que devia caracterizar os últimos dias. E note-se que não se trata aqui dos pagãos, como em Romanos 1, mas sim daqueles que professam o cristianismo e entre os quais encontramos os mesmos rasgos de corrupção.

Assim, do mesmo modo que a levedura doutrinai, o fermento moral devia difundir-se e corromper a massa pura. Não é isso o que vemos à nossa volta? A parte um certo número que rejeita abertamente o cristianismo, as multidões não o professam, “tendo a aparência de piedade, mas tendo negado a eficácia dela”? E não se pense que há para esse mal melhoria possível.

O apóstolo diz um pouco mais à frente: “Os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganado e sendo enganados” (2 Tm 3:13).                                            

Pregar a Palavra

O princípio do capítulo 4 da mesma epístola vem dar mais um toque a este quadro: “Virá tempo”, diz o apóstolo, “em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (versículos 3 e 4).

De uma maneira geral, onde está, nos nossos dias, o são ensinamento? Não é verdade que se preferem os sermões que agradam ao ouvido e interessam à inteligência natural e à imaginação, sem a preocupação se o fundamento deles é Cristo e a verdade? Que se pergunta em primeiro lugar, falando de um pregador? Será: “Prega ele segundo as Escrituras?” Ou será: “Prega ele bem?” — isto é, de maneira agradável aos ouvidos e aos nossos desejos segundo a carne.

Às palavras de Paulo juntemos as do apóstolo Pedro, na sua segunda epístola: “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2 Pe 2:1-3).

De todas estas passagens podemos concluir que a ruína da igreja, que temos verificado com fatos, era uma coisa prevista e anunciada pelo Senhor e por Seus apóstolos, do mesmo modo como outrora a apostasia de Israel o tinha sido pelos profetas.

Outras passagens do Novo Testamento nos dão a conhecer um fato não menos importante: o mal tendia já a introduzir-se no tempo dos apóstolos, embora ainda contido e reprimido pela ativa energia deles. Foi assim que Deus proveu para que tenhamos as direções e as exortações que nos possam guiar no tempo presente, nestes “tempos difíceis; nesta última hora” em que nos encontramos. 

O Começo da Ruína

A primeira indicação do começo do declínio e da ruína no tempo dos apóstolos encontra-se na segunda Epístola aos Tessalonicenses. É uma das primeiras cartas que o apóstolo Paulo escreveu. Data do ano 52, pouco mais ou menos.

Falando àquela igreja acerca da segunda vinda do Senhor, da manifestação da Sua vinda, como ele o chama, Paulo diz que esse acontecimento não se dará sem que primeiro venha a apostasia e apareça o homem de pecado.

Depois acrescenta: “já o mistério da injustiça opera” (2 Ts 2:7). Portanto, o que devemos esperar não é ver a Igreja restabelecida na sua primitiva pureza, mas sim um estado de coisas que irá sempre piorando e terminará na apostasia e no Anticristo. Já se mostravam os germes desse mal horrível, e o olho previsor do apóstolo bem o discernia.

Toda espécie de desordens se manifestava já na igreja de Corinto, divisões, imoralidade tolerada e falsas doutrinas (1 Co 1:5 e 15).

Em Roma era preciso observar atentamente aqueles que causavam divisões por coisas que não eram conformes à doutrina que os cristãos tinham aprendido (Rm 16:17).

Os gálatas desviaram-se do evangelho para seguirem os mestres judaizantes (veja-se toda a epístola); entre os filipenses havia muitos que eram inimigos da cruz de Cristo (Fp 3:18,19);’os colossenses corriam o perigo de não referem o Cabeça (Cristo) e de se deixarem arrastar por filosofias, tradições e ensinamentos de homens (Cl 2:4, 8 e 19).

O apóstolo combate todas essas coisas com energia, adverte e admoesta os santos, dando-lhes sábias e preciosas instruções, que ficaram para nós. Mas os princípios do mal estavam lá e esperavam apenas a oportunidade de se manifestar e desenvolver. Como vimos, a advertência de Paulo aos anciãos de Éfeso mostra-nos que era de entre eles próprios que sairiam os falsos mestres.

 O Desenvolvimento do Mal

Na primeira Epístola a Timóteo 5:15, vê-se que o mal se desenvolvia; mas é sobretudo a segunda epístola, último escrito de Paulo, que nos testifica os seus funestos progressos e o estado em que tinha caído a Igreja. A epístola inteira leva o respectivo selo desse estado.

Outrora toda a Ásia tinha ouvido, da boca de Paulo, o evangelho, e as provas do poder do Espírito para a conversão e para a conduta fiel das almas tinham sido manifestadas (At 19:10). Também podia dizer com prazer o apóstolo: “As igrejas da Ásia vos saúdam” (1 Co 16:19). Em Atos 20:37-38 vemos a viva afeição que os anciãos de Éfeso, a principal dessas assembleias, testemunham ao apóstolo.

Transcorridos apenas alguns anos (cerca de doze), como as coisas mudaram! Paulo, prisioneiro em Roma, escreve a Timóteo: “Todos os que estão na Ásia se apartaram de mim” (2 Tm 1:15).

Todos voltaram as costas ao apóstolo, o arauto da verdade, o consagrado servo do Senhor, por cujo ministério tinham recebido tantas bênçãos! Quantos não existem hoje que se apartam da doutrina do santo apóstolo, dizendo que ele se enganou e se deixou influenciar por preconceitos rabínicos!

Na sua primeira epístola, a Igreja é ainda vista em ordem, como sendo a Casa de Deus, a coluna e a firmeza da verdade. O apóstolo ali ainda fala de supervisores ou bispos e de diáconos ou servidores, como cargos reconhecidos na Igreja e dá regras relativas à ordem que devia ser observada (1 Tm 3:5). Mas na segunda epístola já não se fala mais nisso.

O apóstolo recomenda a Timóteo que confiasse a homens fiéis o depósito das sãs palavras (2 Tm 2:2). Já aí se não fala da Casa de Deus. O estado de coisas é comparado a “uma grande casa”, onde não há somente vasos puros e preciosos, como conviria a um templo de Deus, vasos próprios unicamente para o serviço do Mestre, mas onde, como uma habilitação de homens, existe uma mistura confusa de vasos de desonra com outros (2 Tm 2:20-21).

Não é isto o que vemos plenamente manifestado em nossos dias? O joio tinha crescido e aparecia então distintamente misturado com o bom trigo.

Entregavam-se a estéreis discussões; o espírito de especulação originava o erro, que se propagava vertiginosamente! Himeneu e Fileto ensinavam que a ressurreição já tinha ocorrido (versículos 17-18).

Por outro lado, tal era o abandono em que o apóstolo se achava, tal o resfriamento do afeto cristão, tal a falta de zelo e o temor do mundo que ninguém, em Roma, ajudou Paulo no seu testemunho (capítulo 4:10 e 16).

O apóstolo João, muitos anos depois de Paulo, mostra-nos que o triste e deplorável estado de coisas na Igreja tinha piorado muito: “Também agora”, diz ele, “se têm feitos muitos anticristos… saíram de nós” (1 Jo 2:18-19).

Na sua segunda epístola adverte a senhora eleita contra esses sedutores (versículo 7) e, na terceira, vemos um Diótrefes usurpando a autoridade numa assembléia e conseguindo aliciar grande parte dela para rejeitar o apóstolo e excluir da mesma assembléia os que permaneciam fiéis e em comunhão com ele (versículos 9-10).

As epístolas do Senhor às sete igrejas do Apocalipse, à parte do seu caráter profético, testemunham também da ruína que cada dia se acentuava mais. Efeso tinha perdido o seu primeiro amor; em Pérgamo, a igreja estava misturada com o mundo, trono de Satanás, e deixava atuar os que sustentavam a doutrina de Balaão ou a dos nicolaítas; Tiatira tolerava a falsa profetiza Jezabel; Sardes tinha pretensão de viver, mas estava morta; e Laodicéia, por causa da sua indiferença por Cristo, ia ser vomitada da boca do Senhor (Ap 2 e 3).

Finalmente Pedro, na sua segunda epístola, do mesmo modo que Judas na sua, dá-nos a conhecer a terrível mistura que existia nas assembléias: homens perversos que, sob o nome de cristãos, se entregavam a toda classe de iniqüidades, e a quem os fiéis toleravam no seu meio (2 Pe 2:10-14; Jd 4:8-13).

Assim, o estado de coisas em que nos encontramos já tinha sido predito e tinha já começado no tempo dos apóstolos, e continuará até o fim.

Embora Deus tenha operado de maneira maravilhosa quando os homens que Ele suscitou no tempo da Reforma trouxeram de novo para a luz a Sua Palavra e as grandes verdades da salvação pela fé, não houve restauração da igreja e não há que esperá-la. Sucedeu como quando os judeus regressavam do cativeiro de Babilônia:  não foram restabelecidos na sua primitiva posição.

Somente regressaram duas tribos e ainda ficaram sob o domínio dos gentios — e a glória do Senhor não voltara a morar no templo! Para a igreja meramente professante, o seu destino é a apostasia final e o julgamento, como vimos, em conformidade com 2 Tessalonicenses 2.   O apóstolo Paulo, na sua Epístola aos Romanos, capítulo 11, versículos 17 a 24, faz pressentir claramente esse julgamento, quando fala do porvir para os judeus.

Sobre a oliveira natural, cujos ramos naturais (os Judeus) foram quebrados, por causa da sua incredulidade, Deus, pela Sua graça, enxertou ramos de oliveira brava {os gentios). Mas “tu estás de pé pela fé”, diz o apóstolo.

Deus tem operado, na Sua bondade soberana, trazendo os gentios à fé. Porém, se estes não perseverarem até o fim na bondade de Deus, a sentença produzirá o seu efeito: “também tu serás cortado”.

Ora, como vimos, a cristandade não perseverou na fé e na bondade de Deus, e será cortada, tal como a figueira estéril, que representa Israel (Lc 13:6-9). É o que ressalta da Epístola de Judas e das palavras do Senhor à igreja de Laodiceia.

Na Epístola de Judas vemos abater-se o juízo, na vinda do Senhor, sobre os ímpios de quem o Senhor falou e que, em seu tempo, se infiltraram por entre os fiéis (versículos 14 e 15), e Laodicéia, a igreja meramente professante do fim, é vomitada da boca do Senhor.

Não Esperamos a Restauração da Igreja

Não tendo de esperar pela reedificação, pela restauração da igreja como tal, que devemos fazer? Devemos inquirir se há um caminho de Deus que devamos seguir no meio da ruína, e qual ele seja. Poderíamos lembrar-nos daquilo que já dissemos, as palavras do Senhor Jesus a propósito da Igreja: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18).

Bendito seja Deus, porque assim é: o fundamento é sólido e permanece eternamente. Deus opera sempre por Seu espírito e congrega só membros do corpo de Cristo, as pedras vivas, porque somente elas entram na estrutura do templo santo, que se eleva sem cessar (Ef 2:21).

O que Cristo edifica, o que depende dele, é perfeito e assim será manifestado na glória; os desígnios de Deus seguem o seu curso e terão o seu pleno cumprimento; mas o que dependia da ação do homem, o que lhe fora confiado, a Igreja como vaso do testemunho de Deus sobre a Terra, tudo está totalmente arruinado, e a nossa responsabilidade atual é procurar como andar segundo a vontade de Deus no meio de um tal estado de coisas.

Vamos procurar expor o que a Sagrada Escritura nos ensina a esse respeito.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

Deixe um comentário