Estudos Bíblicos

Tempo de Provações

Tempo de Provações
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Frequentemente, sem nos dar conta, buscamos a Jesus por motivos errados. Sem querer, o usamos como a “lâmpada de Aladim”. Nós o reduzimos a uma fonte de suprimentos para os momentos de crise.

O Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração… ” (Dt 8:2).

Imagine-se numa situação assim: você é um judeu recém – liberto da escravidão e acabou de ter uma experiência terrível e impressionante, passando por dentro do mar, em meio a duas enormes paredes de água.

Você correu com todas as forçaras tentando alcançar o outro lado, salvo e liberto. Olhando para trás, você viu o momento em que aquelas enormes paredes de água desabaram sobre os inimigos, afogando-os nas profundezas do mar.

Salvo e seguro na outra margem, você se juntou ao bloco dos que dançaram e se alegraram por tão grande libertação diante do Senhor. Com Deus ao seu lado, você se imaginou invencível! Um pensamento lhe ocorre: nunca, jamais, abandonarei o Senhor nem duvidarei de sua Palavra!

Mas agora o cenário mudou. Vários dias se passaram desde o grande milagre do mar se abrindo, e você já está cansado, com sede, faminto e enfrentando um calor insuportável. Ainda nem chegou aos limites da terra “prometida”; ao contrário, anda errante pelo deserto em meio a serpentes e escorpiões.

Você agora não está dançando, cantando e jubilando diante do Senhor, proclamando que Ele “lançou no mar o cavalo e os seus cavaleiros”. Veja bem, você está xingando seu líder e gritando a todo pulmão: “Por que nos trouxeste do Egito para este deserto? Queres matar-nos a nós e a nossos filhos de sede e fome?”

Reflita comigo. Você acha que Deus o tiraria poderosamente do Egito para deixar você errante, confuso, sedento, doente, faminto e sujeito a morrer no escaldante deserto? Que propósito Deus tinha em mente?

Assim como o Senhor conduziu o povo de Israel, do Egito para o deserto, da mesma forma ele o guia. Foi Deus quem o conduziu, e não o Diabo. E existe um propósito para este tempo de secura. Deus quer humilhá-lo e prová-lo para ver se seu coração é perfeito diante dele. Ele quer nos conhecer melhor.

O que Deus faz para nos humilhar? “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná… ” (Dt 8:3 – grifo do autor). Deus humilhou o povo, deixando-o passar fome. No entanto, a declaração seguinte parece um contra-senso: Deus sustentou aquele povo com o maná. Como fez o povo passar fome, se este mesmo povo era alimentado com o maná?

Analise comigo. O maná é o melhor dos alimentos; é a comida dos anjos. Elias recebeu forças para caminhar quarenta dias e quarenta noites, depois de comer dois bolos feitos pelos anjos. E havia maná em abundância no deserto.

Um carregamento chegava do céu todas as manhãs. Nunca ninguém perdeu a hora do almoço…e isso, durante quarenta anos, começando com a jornada no deserto até a divisa da terra prometida.

Então, por que Deus disse que deixou o povo “passar fome”? De que tipo de fome Deus está falando? Precisamos entender o assunto, examinando a maneira como o povo vivia no deserto. Façamos uma comparação com o nosso dia-a-dia.

Suponhamos que todos os dias no café da manhã você tenha apenas um pedaço de pão. No almoço, pão, e pão de novo para o jantar. Sem manteiga, geleia, mortadela, presunto, queijo, maionese, sardinha… apenas pão.

Mas veja bem. Não estamos falando de dias, semanas ou meses. Estamos falando de quarenta anos tendo, como dieta alimentar, o pão.

Certa ocasião levei um grupo de cinquenta e seis jovens, membros da igreja, numa missão de oito dias a Trinidade, no Caribe. A igreja que nos hospedou em Trinidade forneceu as refeições. Trataram-nos como a príncipes, apesar de nos darem frango para comer todos os dias. Preparavam-no de diversas maneiras – ensopado, com arroz, ao molho, frito, à milanesa, assado, recheado – mas era sempre frango!

Depois de comer frango durante oito dias, não conseguíamos nem ouvir mais nada sobre a galinha. Queríamos comer alguma coisa diferente. Tínhamos fome de outro tipo de comida. Um dos jovens, logo que chegou em casa, perguntou à mãe o que ela havia preparado para o almoço. “Frango”, respondeu a mãe. Ele preferiu comprar um hambúrguer do vendedor da esquina.

Depois de oito dias comendo duas refeições diárias à base de frango, estávamos desfalecendo. Imagine comer a mesma coisa durante quarenta anos! Não foram quatro anos; foram quarenta anos! Foi assim que Deus os fez ter fome. Deus não deu o que o povo desejava, deu-lhe, no entanto, o que precisava.

Tiveram fome de outras coisas. Quais? Empolgam o-nos ao saber que suas roupas e calçados nunca se gastaram. Mas, imagine-se usando a mesma roupa durante quarenta anos! Você estaria sempre fora de moda! Sem roupas novas, sem lojas, sem shopping… as mesmas roupas e calçados todos os dias… Nada novo em quarenta anos!

Tinham o que precisavam: casa e comida, proteção contra o frio e o calor, mas não o que desejavam!

Tinham fome de ver novas paisagens. Durante quarenta anos, viam todos os dias o mesmo cenário – areia, pedras, cactos, terra seca. Nenhuma palmeira, ribeiros de águas transparentes, florestas, árvores, lagos adornados de pinheiros e flores… apenas deserto!

A luz do que falei, vejamos novamente o texto:

“Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem” (Dt 8:3).

O que Deus fez? Deixou-os famintos de tudo o que pudesse satisfazer os desejos da carne, e jamais privou o povo do “arroz com feijão”, do sustento fundamental.

Seu objectivo? Prová-los. Em que consistia a prova? Deus queria testá-los para saber se o amavam mais do que tudo que deixaram para trás; se o desejavam mais do que às coisas do inundo; se teriam fome e sede de sua presença, e não dos prazeres e conforto do mundo!

Veja o que disseram:

E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: “Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.

Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná ” (Nm 11:4-6 – grifo do autor).

Tinham saudades do Egito e das coisas que ali possuíam (o Egito representa o sistema mundano). A escravidão do Egito, com todo o sofrimento, era lhes preferível a essa situação que viviam no deserto.

Começaram a reclamar e a murmurar, pedindo carne. Deus os ouviu:

“Concedeu-lhes o que pediram (carne, perdizes)… Então, comeram e se fartaram a valer; pois lhes fez. o que desejavam. Porém não reprimiram o apetite. Tinham ainda na boca o alimento… mas fez definhar-lhes a alma” (SI 106:15; 78:29, 30).

Receberam o que queriam, mas pagaram um preço muito alto! Com a carne, veio-lhes o definhamento de alma. Esse “definhamento” deixou-os incapacitados. Não passaram no teste de Deus; consequentemente, nunca entraram na terra prometida! Não havia problema nem pecado em pedir carne.

O problema era a motivação do pedido que revelava a insatisfação do povo para com Deus; seu pedido trazia átona o intenso desejo pelas coisas antigas. Sempre que se lembravam das comidas do Egito, sentiam água na boca!

Creio que, nestes dias, Deus levou sua Igreja para o deserto. Espiritualmente, a América é uma terra árida e sedenta. Chegou o momento de sermos provados. Uma vez mais Deus quer ver se seu povo quer buscar sua face ou sua mão.

A face representa a natureza de Deus e seu carácter; corresponde ao relacionamento. Sua mão representa provisão e poder. Se você buscar apenas sua mão, certamente não verá sua face. Agora, se buscar sua face, por certo conhecerá sua mão!

Os fariseus não reconheceram a face de Deus na pessoa de Jesus. Almejavam o sonho de serem libertados do domínio romano e esperavam isso de Jesus. Para eles, nas mãos de Jesus estava a libertação do jugo político. Temos de ser diferentes deles.

Se tivermos o coração em Deus, se o amarmos, se o obedecermos, e buscarmos sua face, no meio do deserto ele levantará os precursores que, como Josué, levarão o povo para a terra prometida, participando da colheita das nações.

Deus está erguendo a “geração Josué” e, como naqueles dias, o lugar do treinamento é o deserto. O deserto, com toda sua aridez, elimina os murmuradores, os rebeldes e os contendores; a purificação é feita da mesma forma como se separa a palha do grão.

Aqueles que buscam apenas os benefícios da promessa, e não buscam o “dono das promessas”, por certo morrerão no deserto. Uma coisa é buscar o Senhor por aquilo que Ele pode nos dar; outra bem diferente é buscá-lo por aquilo que Ele é! No primeiro caso, busca-se o benefício, e o motivo é o egoísmo.

Um relacionamento fraco e imaturo é tudo o que se espera como fruto dessa motivação. Agora, quando se busca o Senhor por aquilo que Ele é, constrói-se um relacionamento sólido, forte c durável!

A Motivação da Busca

“Quando, pois, viu a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, tomaram os barcos e partiram para Cafarnaum à sua procura. E, tendo-o encontrado no outro lado do mar, lhe perguntaram: Mestre, quando chegaste aqui? Respondeu-lhes Jesus… vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes” (Jo 6:24-26 – grifos do autor).

As multidões saíram à procura de Jesus e o encontraram no outro lado do mar da Galileia. Jesus, olhando a multidão que contornara o lago para encontrá-lo, repreendeu o povo porque este o buscava não por causa dos sinais que fizera, e sim porque havia se fartado de pão e peixe.

Temos de nos perguntar: “Para que servem os sinais?” Eles dão a orientação do rumo a ser seguido. Um sinal nunca aponta para si mesmo, mas indica algum lugar ou coisa. Jesus sabia que o povo o buscava, não porque havia visto sinais e milagres, que indicavam a presença do Messias, mas porque queria encher o estômago.

Em nossos dias, acontece a mesma coisa: as pessoas buscam a Jesus por motivos errados. Buscamos a Deus por causa das bênçãos, e não porque o amamos. Aos olhos do povo, Jesus é apenas um produto com “mil e uma utilidades”. Nós o reduzimos a um produto de mercado!

Você deve ter tido amigos que o procuraram apenas quando precisavam de alguma coisa, não é mesmo? Pior ainda; você conhece alguém que procurou sua amizade apenas por interesses pessoais? Quem sabe ele queria viver sob o teto de sua influência, dinheiro, bens materiais ou posição? Não havia amor verdadeiro ou carinho especial por você, era só por interesse.

Se você já experimentou uma amizade assim, sabe o que é se sentir usado! E essa atitude egoísta permeia a sociedade c a própria Igreja. O egoísmo está por trás da grande quantidade de divórcios em todo mundo. Até mesmo na igreja os jovens se casam com fins egoístas.

Falham por não reconhecerem que o casamento é uma aliança de amor, e não um contrato. Casam-se pensando nos benefícios que o cônjuge poderá trazer à sua vida. Se o cônjuge não corresponder a essa expectativa, casam-se novamente com outra pessoa, ignorando que, aos olhos de Deus, a aliança é muito mais importante e muito mais forte que um contrato.

Existem muitas pessoas descontentes na igreja; são pessoas que perderam o primeiro amor. Muitos membros de nossas igrejas estão desviando-se e abandonando a fé. Querem o Senhor apenas por aquilo que Ele pode fazer por eles e não pelo que Ele é.

Enquanto Deus lhes dá o que querem, sentem-se felizes e animados, mas na hora da provação os motivos de seu coração vêm átona. Sempre que o foco for o indivíduo, vem a murmuração.

Isso foi o que aconteceu com o povo de Israel. No momento em que foi libertado das garras de Faraó, o povo se regozijou sobremaneira e fez uma grande celebração!

“A profetisa Míria, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. E Míria lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Êx 15:20, 21).

O povo ficou impressionado com a grandeza do poder de Deus. O coração deles vibrava de alegria por haverem sido libertados do Egito. Entretanto, apenas três dias depois, no deserto de Sur, encontraram águas amargas e começaram a murmurar.

“E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Êx 15:24). O povo logo se esqueceu de que Deus, que dividiu o mar Vermelho, poderia tornar as águas amargas em água potável! Esqueceu-se também de que Moisés era o mesmo líder de três dias atrás. Não obstante, Deus purificou aquelas águas e o povo saciou sua sede.

Alguns dias depois, murmuraram por não terem o que comer e lamentaram: “No Egito era bem melhor”!

“Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto; disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão” (Êx 16:2, 3).

Agora murmuravam contra Moisés e Arão. No versículo oito, Moisés mostra o erro do povo: “As vossas murmurações não são contra nós, e sim contra o Senhor” (grifo do autor).

E a história é sempre a mesma: na hora em que enfrentamos as dificuldades do deserto, achamos alguém em quem colocar a culpa. Geralmente acusa-se a liderança, a família e os amigos. Muitos de nós, por temor, nunca falaríamos contra Deus diretamente. Por que então murmuraram contra Arão e Moisés (e, portanto, ao Senhor)? No modo de pensar deles, Deus os havia desapontado.

Deus está colocando o prumo e medindo com seu cordel o coração da Igreja na América. É tempo de buscarmos o Senhor para que sejamos encontrados fiéis!

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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