Estudos Bíblicos

O Que Há com os Céticos?

O Que Há com os Céticos?
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Por mais de mil e seiscentos anos a divindade pessoal de Jesus Cristo raramente foi colocada em dúvida.

A maioria das pessoas aceitava prontamente os relatos das testemunhas oculares de sua vida, contidos nos evangelhos, onde é evidente que Jesus devia ser realmente Deus em forma humana. As pessoas de sua época muitas vezes faziam exclamações como esta: “Ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Veja João 32; 9.33).

O mesmo podia ser dito de seus ensinos, pois Ele falava como quem tem autoridade. Nem mesmo o maior profeta do Velho Testamento ousou dizer algo como: “Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás’… Eu, porém vos digo…” (Mateus 5.21-22) colocando-se no mesmo nível de Deus.

O impacto de Jesus sobre a civilização, reconhecido universalmente, fez com que os homens o aceitassem como Deus, pois nenhum outro teve tanto impacto sobre as nações como Ele, ou realizou tantas coisas em tão pouco tempo.

Porém, mesmo quando Jesus andou por este mundo, nem todos o aceitaram como Filho de Deus. Nem todos os que ouviram sua palavra, viram seus milagres e puderam comprovar quem Ele realmente era, acreditaram nele. Muitos dos judeus de sua época o rejeitaram, porque Ele não correspondia à imagem que eles faziam de um Messias.

No entanto, desde o princípio aqueles que o aceitaram como Messias também aceitaram sua natureza divina. As igrejas que surgiram depois disso seguiram essa mesma doutrina. A história registra poucas vozes que se ergueram para formular razões contrárias à divindade de Jesus Cristo. E assim foi até cerca de quatrocentos anos atrás.

A Crença em Deus É Ameaçada

A partir do século dezesseis, com o filósofo René Descartes, muitas pessoas foram influenciadas pela ideia de que não podiam acreditar naquilo que não podiam ver. E como não podiam ver Deus, recusaram-se a crer em sua existência.

Isto, representou um rompimento com a crença da época. Durante milênios, a maior parte da humanidade aceitou o fato de a criação ter sido obra de um Criador. No entanto, Descartes e seus seguidores rejeitaram toda a noção de Deus.

Foi, portanto, natural para os céticos franceses do século dezessete e para os racionalistas alemães do século dezoito questionar a divindade de Jesus. Eles já haviam rejeitado a crença em Deus e proposto uma filosofia de vida independente dele; o passo seguinte foi aplicar esse ceticismo a Jesus.

Um princípio básico da lógica é que, se você começa com uma premissa errada, acaba chegando inevitavelmente a uma conclusão errada.

Na questão da divindade de Cristo, a partir do momento em que a pessoa rejeita Deus, ela deve repudiar também a crença no sobrenatural. Este preconceito vai impedi-la de enxergar com clareza, não permitindo uma avaliação imparcial de qualquer alegação que se refira à divindade de Jesus. Um cético simplesmente não pode admitir a possibilidade de que Jesus é Deus.

Se ele admitisse isso, estaria negando a própria essência de sua crença — “Não há Deus”. Portanto, ele rejeita arbitrariamente as afirmações da divindade de Cristo; já que Deus não existe, Jesus não pode afirmar que é divino. Desta forma, muito antes de começar uma avaliação da vida de Cristo, os céticos concluem que Jesus não era nada mais do que um simples homem.

A maioria das pessoas que rejeitam Deus e a divindade de Jesus são como o ateu Tom Paine, que escreveu um livro de grande influência, A Idade da Razão, sem nunca ter lido a Bíblia! Muitos concluíram que Jesus é menos do que o “Filho de Deus” (um direito que Ele alegou repetidas vezes possuir) sem ao menos examinar sua vida. Em muitos casos, apenas repetiram o que outros tinham escrito sobre o assunto…

Alguns céticos, embora admitindo o incrível impacto da vida de Jesus sobre o mundo, insistem no ponto de que Ele nunca alegou ser Deus ou possuir os atributos de Deus. Eles querem nos fazer acreditar que Jesus foi um homem bom, mas não divino.

Isto é exatamente o que acontece com os ilustres participantes do Seminário Jesus, que nos últimos anos tem recebido tanta atenção da mídia.

O Seminário Jesus: Quem São e o Que Fazem Seus Participantes?

Em 1985, Robert Funk convidou várias pessoas, em sua maioria estudiosos liberais, para verificarem a identidade de Jesus e a autenticidade dos registros do evangelho.

Cerca de duzentos acadêmicos estiveram na primeira sessão; mas desde então esse numero tem diminuído, agrupando atualmente de setenta a setenta e cinco pessoas. Trinta e dois dos “participantes” ou ensinam ou possuem títulos de docentes de três das instituições teológicas mais liberais dos Estados Unidos (Harvard, Claremont e Vanderbilt). Esses estudiosos se reúnem para julgar os registros do Novo Testamento e submetê-los a seus próprios testes de exatidão.

O objetivo principal do seminário tem sido sempre atrair a maior publicidade possível às suas “descobertas”. Logo no início ficou decidido que a votação seria feita por meio de bolinhas coloridas — pois chamam mais a atenção.

Um membro do seminário explicou o significado das cores que codificam as palavras de Jesus: “Vermelha — isto é Jesus! Rosa — isto parece ser Jesus. Cinza — talvez seja Jesus. E preta — houve algum erro!” O seminário percorreu detalhadamente cada evangelho e votou sobre a autenticidade de cada afirmação atribuída a Jesus.

A objetividade do grupo pode ser vista em suas conclusões:

De acordo com o Seminário Jesus, a maior parte do evangelho de João é uma farsa [apesar de os estudiosos bíblicos considerarem-no mais autêntico que os demais evangelhos]; ele recebeu uma marca rosa, algumas cinza e nenhuma vermelha. A passagem marcada com a cor rosa, João 4.44, é traduzida assim: “Um profeta não consegue nenhum respeito em seu próprio território”.

No evangelho de Marcos apenas uma expressão recebeu a cor vermelha — “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”(Mc 12.17). Ao todo, 82% das palavras de Jesus em Mateus, Marcos, Lucas e joão não são consideradas julgadas autênticas. Apenas 15 frases de Jesus são marcadas em vermelho, sendo todas expressões curtas e pungentes.

Este ataque nada sutil ao Jesus histórico e sua contribuição produziu o seguinte comentário do conservador Douglas Groothuis: “Quase nada resta de autêntico depois dessas análises”.

O objetivo deles era exatamente esse e tudo foi premeditado desde o início; nenhuma “erudição” foi envolvida, nem foram feitas quaisquer novas descobertas. Na realidade, sem a publicidade veiculada em revistas como Time, Newsweek, U.S. News and World Report, Life, e em grandes jornais como Los Angeles Times e New York Times, as opiniões do seminário teriam sido esquecidas rapidamente.

É importante lembrar que o seminário não fez qualquer nova descoberta que conduzisse a esses pontos de vista injuriosos. De fato, ele teve início com a premissa de que o sobrenatural é impossível.

Todos os membros líderes do seminário negaram as doutrinas básicas da fé cristã histórica, incluindo o nascimento virginal de Cristo, sua divindade, a expiação viçaria, sua ressurreição dentre os mortos e ascensão ao céu. Portanto, não seria surpresa que o seminário rotulasse como “não-autênticos” quaisquer fatos que dessem apoio a essas doutrinas.

Além disso, a mídia nunca divulgou que tanto a metodologia como as conclusões do Seminário Jesus foram atacadas por crentes conservadores e estudiosos bíblicos do mundo inteiro. Até mesmo os estudiosos que não proclamam fidelidade ao Cristo vivo — tendência dominante tanto nos Estados Unidos como na Europa — denunciaram as falhas do seminário.

O primeiro livro a ser publicado pelo seminário, Os Cinco evangelhos: A Busca do Jesus Autêntico, revela as verdadeiras intenções do grupo. Este trabalho de 1993 procura elevar o evangelho de Tome ao mesmo nível de autoridade concedido pela igreja aos quatro evangelhos canônicos.

Na verdade, o seminário freqüentemente julga Tomé superior aos respeitados evangelistas, apesar de a igreja primitiva não fazer qualquer menção de Tome por trezentos anos após a morte de Cristo. Por que essa fascinação por Tomé? Pode-se apenas inferir que é pelo fato de o seminário preferir o gnosticismo de Tome à ortodoxia bíblica.

Quando este “evangelho” foi descoberto, logo depois da Segunda Guerra Mundial, os estudiosos céticos saudaram-no como um novo conceito dogmático para destruir o Jesus autêntico.

Porém, como todas as outras tentativas dos últimos trezentos ou quatrocentos anos, a teoria que coloca Jesus como “sábio” ou “cínico” (baseada substancialmente em Tome) é mais difícil de ser aceita do que a imagem de Jesus como “Filho de Deus” revelado nos evangelhos tradicionais

— especialmente quando nos lembramos que esses homens estão mais de dezenove séculos distantes dos eventos, armados apenas com seus Ph.Ds. e suas tendências céticas. É a opinião deles contra os registros escritos de homens que passaram três anos e meio com Jesus de Nazaré e que foram “testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1.16).

Embora o Seminário Jesus continue a reunir-se — está estudando atualmente o que Jesus realmente fez quando esteve na Terra e quais livros devem ser incluídos no cânon bíblico —, ele nada mais fez do que levantar questões perturbadoras sobre sua objetividade, metodologia e valor escolástico.

Nem ao menos conseguiu mostrar por que alguém deve abandonar a confiança nos registros dos evangelhos e, em seu lugar, passar a confiar em seus próprios vôos imaginários.

Os céticos que conheço são geralmente mais eficientes em levantar objeções do que em responder à simples pergunta: “Como você explica o cristianismo sem o sobrenatural?” Notamos esta tendência nas teorias superficiais e tolas desenvolvidas por eles, onde geralmente se criam mais problemas do que soluções.

E interessante observar que eles não parecem desenvolver nada realmente novo. Várias obras que utilizei em minha pesquisa para a publicação deste livro foram escritas há mais de cem anos, e descobri que as perguntas a que estamos respondendo hoje são basicamente as mesmas levantadas naqueles períodos.

Em resumo, os céticos modernos não têm nada de novo a oferecer. Eles apenas retomam as idéias elaboradas pelos céticos franceses e racionalistas germânicos de dois ou três séculos atrás.

Mesmo os participantes do Seminário Jesus não têm proposto nenhuma novidade (apesar da publicidade obtida). Até aqui o melhor que eles podem oferecer são algumas novas interpretações das antigas teorias de Voltaire, Rousseau, Hegel e outros.

Se suas teorias fossem, ainda que parcialmente, corretas, já poderiam ter obtido evidências arqueológicas suficientes para derrubar a credibilidade da origem divina de Jesus e da ressurreição (ou ao menos colocar em dúvida os registros dos evangelhos). Ao invés disso, as escavações dos arqueólogos têm servido para confirmar os registros nos evangelhos sobre a vida de Jesus.

Como Nascem os Céticos

É interessante notar que muitos dos que duvidam da divindade de Jesus ou de sua ressurreição física nunca leram os evangelhos, ou os relatos das testemunhas oculares dos acontecimentos da vida de Cristo. Voltaire, o célebre descrente do século dezoito, rejeitou a divindade e a ressurreição de Jesus, assim como a Bíblia.

Como ele se tornou tão cético? Talvez por ter sido tão brilhante? De modo algum. Quando seus pais, que eram católicos devotos, notaram que seu filho tinha a inteligência de um gênio, contrataram um ex-sacerdote como seu professor particular na tentativa de oferecer-lhe uma educação de qualidade.

Infelizmente, eles não verificaram por que o professor era um ex-sacerdote. O homem tinha sido expulso da igreja católica por seu ceticismo; por sua vez, ele inoculou doses maciças de ceticismo na mente de seu jovem e brilhante aluno. A objetividade nada tinha a ver com o ceticismo de Voltaire. A doutrinação cética fez de Voltaire um cético!

Na realidade, tenho observado que a maioria dos céticos foi influenciada por algum livro ou professor que transmitiu-lhes seu próprio ceticismo. A partir do momento em que o cético se convence de suas posições, seu orgulho pessoal não lhe permite mudar de opinião, não importando quantos fatos contrários possam desafiá-lo.

Isto é particularmente verdadeiro em relação a muitos acadêmicos. Estes homens e mulheres apreciam passar adiante seu ceticismo, atingindo as mentes jovens e impressionáveis — muito embora não tenham os fatos a seu favor. Talvez seja por isso que o maior número de céticos é encontrado nas universidades, onde uns poucos professores agnósticos podem minar a fé das gerações futuras.

Sob a capa de “liberdade acadêmica”, os céticos ateus em nossas faculdades e universidades (e algumas vezes em nossas escolas secundárias) questionam todas as coisas da fé cristã, desde a criação até a ressurreição, recusando-se a considerar os argumentos cristãos.

Qualquer um que analise somente um dos lados de um argumento está inclinado a adotar esse ponto de vista (particularmente os jovens).

As universidades de hoje estão fabricando céticos, não porque os cristãos sejam falhos em evidenciar a divindade e ressurreição do corpo de Cristo, mas por falta da exposição dessa evidência. Estou convencido de que a evidência da divindade e ressurreição de Jesus Cristo é tão clara que qualquer pessoa objetiva que examine ambos os lados de um argumento concluirá que a fé cristã está baseada em fatos históricos consistentes.

O Caso do Ateu Não-Científico

Quando eu era pastor, poucos ateus frequentavam minha igreja. Por isso fiquei realmente surpreso quando um jovem e inteligente engenheiro apertou minha mão em um domingo após o culto e anunciou: “Sou um ateu não-científico.

Acabo de concluir meu mestrado na Universidade Stanford e desejo frequentar sua igreja. Estou trabalhando por um ano em uma empresa aqui em San Diego a fim de ganhar o suficiente para frequentar a Universidade Brandeis no próximo outono, visando ao doutorado.” E então explicou: “Um ateu não-científico é aquele que examinou somente um lado da evidência antes de chegar a uma conclusão.

Durante os meus estudos, fui instruído a examinar os dois lados de uma argumentação antes de chegar a uma conclusão. Descobri, então, que toda minha argumentação partia de uma perspectiva cética ou ateia. Por isso, durante estes nove meses em que não tenho atividade acadêmica pesada, resolvi frequentar sua igreja para que possa conhecer e examinar o ponto de vista cristão.”

Então ele me pediu algo que poucas pessoas me haviam pedido: “O senhor estaria disposto a separar uma hora por semana comigo para me ajudar na orientação da pesquisa?” “É claro que sim”, respondi. Mas primeiro fi-lo prometer que leria pelo menos um capítulo da Bíblia diariamente, à medida que eu lhe fosse indicando.

Stan concordou e passamos a nos encontrar todas as quartas-feiras à noite, antes do culto. Ele era um acadêmico disciplinado. Lia a Bíblia diariamente, como prometeu, bem como todos os livros e executava as tarefas que eu lhe dava.

Começamos com o nascimento virginal de Jesus e sua origem divina, mas logo descobri que ele estava tão interessado e aplicado que isso exigiria mais tempo do que tínhamos disponível. Por isso, eu o desafiei a pular diretamente para a ressurreição, porque, disse-lhe, “se a ressurreição é válida, então a divindade de Cristo e seu nascimento virginal também são válidos”.

Trabalhamos arduamente durante os nove meses restantes e, por minha sugestão, ele começou a preparar duas listas: uma a favor e outra contra a ressurreição. Naquela época, Josh McDowell ainda não havia escrito sua obra clássica sobre Jesus, por isso tive de fazer uma porção de pesquisas por minha conta. Hoje a tarefa seria muito mais fácil (e mais convincente!).

Fiquei extremamente desapontado quando, no final de setembro, Stan me disse que aquele seria nosso último encontro, pois partiria no dia seguinte para a Universidade Brandeis. Tentei fazer com que ele tomasse uma decisão apoiada em sua pesquisa, onde havia duas vezes mais evidências em favor da ressurreição do que contra — mas como ele “não estava preparado”, achei melhor não forçá-lo.

Stan prometeu dedicar mais algum tempo a sua pesquisa, na tentativa de “chegar a alguma conclusão até o feriado do dia de Ação de Graças.

Sinceramente, achei que o tinha perdido. Afinal de contas, naquela época, toda a Universidade Brandeis era judaica e 98% de seus estudantes eram judeus ou ateus.

Não tive mais notícias de Stan até o Natal, quando ele me pediu uma entrevista. Fiquei grandemente surpreso quando ele me disse que planejava ir à igreja no próximo domingo e declarar, na frente de todos, que queria se tornar um cristão. Fiquei muito feliz com isso e, então, ele me contou como chegou a esta conclusão.

Ele manteve sua promessa e dedicou um bom tempo nas bibliotecas daquela área reunindo dados pró e contra a ressurreição. Sua conclusão? “Houve cinco vezes mais evidência PRÓ ressurreição de Jesus do que contra.

Depois que cheguei a esta conclusão, foi fácil ajoelhar-me à beira de minha cama (no alojamento de Brandeis) e convidar Jesus, o Cristo vivo, a entrar em minha vida. A pesquisa havia finalmente terminado e uma paz maravilhosa desceu sobre mim!”

Em seguida, algo bastante raro aconteceu. Ele desceu as escadas e encontrou cinco colegas da universidade — comentando exatamente como era inacreditável o fato de os cristãos aceitarem algo tão ultrajante como a ressurreição de Jesus. Stan, uma pessoa de espírito manso e introvertido, aguentou até onde pôde.

De repente, ele se viu entrando na conversa e compartilhando algumas das evidências que havia encontrado, para a grande surpresa de todos. Pois, como a maioria dos descrentes, eles concluíram erroneamente que nada havia em favor da ressurreição, já que nunca tinham ouvido nada sobre isso.

Quando perguntei a Stan por que ele ainda não se considerava um cristão,mesmo depois de éter convidado Cristo a entrar em sua vida, ele me explicou que o Senhor esperava dele um testemunho público de sua fé. Ele estava certo sobre isso, mas tinha uma idéia equivocada a respeito do que era um testemunho público, achando que precisava ir à frente após um sermão para testemunhar sua fé.

Expliquei-lhe que ele já tinha dado seu primeiro testemunho público; isto aconteceu no dia seguinte ao da celebração do dia de Ação de Graças, no seu alojamento, quando falou em defesa da ressurreição de seu novo Salvador. E isto foi feito diante de cinco testemunhas — seus colegas judeus! Isso provou que ele estava salvo.

Stan evidentemente estava pensando no texto que promete: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Romanos 10.9-10).

Fiel à sua palavra, Stan foi à igreja no domingo de manhã e caminhou até a frente, confessando perante a igreja o que ele já tinha confessado diante dos homens, que o Cristo que ressurgiu da morte após sua crucificação era, sem sombra de dúvida, seu Senhor e Salvador pessoal.

Deve ter sido uma experiência genuína, porque aquele “ex-ateu não-científico” tem sido um cristão firme por mais de trinta anos. A última vez que ouvi falar de Stan, ele era professor em uma faculdade cristã.

Este caso serve como uma evidência adicional de que o ceticismo geralmente não pode se expor à esmagadora evidência da ressurreição de Jesus, desde que o cético esteja disposto a ser objetivo e examinar ambos os lados da evidência.

O Ceticismo Não é Intelectualmente Honesto

Os cristãos nada têm a temer diante dos argumentos dos céticos. Quando avaliamos as evidências, torna-se claro que a crença no Cristo ressurreto faz mais sentido do que a crença em qualquer sistema alternativo.

Por outro lado, os cristãos precisam saber que a arma preferida dos céticos nunca foi o argumento racional baseado na melhor evidência disponível; os céticos perceberam há muito tempo que o ridículo e o sarcasmo servem muito melhor aos seus propósitos.

Muitos céticos se apegam à sua descrença não com base em uma evidência irrebatível, mas simplesmente porque decidiram descrer. Eles não são intelectualmente honestos. Josh McDowell nos conta alguns fatos interessantes ocorridos em conferências que deu para alunos de filosofia.

O professor era também o diretor do departamento. Depois que apresentei a evidência literária e histórica da divindade de Cristo, o professor começou a me importunar com perguntas e acusações sobre a ressurreição. Após uns dez minutos, um estudante interrompeu e fez ao professor uma pergunta muito interessante:

“O que o senhor acha que aconteceu na primeira páscoa?”

O professor olhou para mim e em seguida para o estudante.

“Não sei o que aconteceu” disse ele. “Mas não foi a ressurreição!”

“Sua resposta é o resultado do exame da evidência?”

A resposta foi a seguinte: “Não! É por causa de minha perspectiva filosófica.”

Em outra importante universidade, vários estudantes levaram meu primeiro livro, Evidence That Demands a Verdict (Evidência Que Requer um Veredito), ao presidente do departamento de história para que ele o avaliasse. Após vários meses, um dos alunos visitou o presidente e perguntou sua opinião sobre o livro.

“Ele contém historicamente alguns dos argumentos mais convincentes sobre o cristianismo que já li”, respondeu o professor.

O estudante ficou todo excitado. Então o diretor do departamento acrescentou: “Mas não chegarei à mesma conclusão do Sr.McDowell.”

“Por que?”perguntou o estudante, confuso.

“Por causa da minha perspectiva filosófica”, foi a resposta.

Não havia falta de evidência. Mas, apesar disso, ele se negou a aceitá-la.

Uma Questão de Vontade

Um poeta disse sabiamente: “Uma mente convencida contra sua vontade é ainda a mesma mente.” Algumas pessoas simplesmente se recusam a crer, mesmo quando confrontadas com fatos irrefutáveis.

Outros podem ficar sem respostas, mas ainda se recusam a dobrar os joelhos diante de Jesus. Neste caso, a rejeição de Cristo e de sua ressurreição não é mais uma questão de razão e lógica; é uma rebelião contra Deus.

Aconteceram vários casos na igreja que pastoreei em San Diego, Califórnia. Um engenheiro aeroespacial, de inteligência privilegiada, vinha à igreja regularmente acompanhado de sua esposa e filha, mas confessava que não era um crente. Ele se dizia abertamente um ateu, ou, na melhor das hipóteses, um cético.

Não sei bem o que ele realmente era. Don, diferentemente da maioria dos maridos descrentes, desfrutava da companhia de alguns homens de nossa igreja, chegando até a praticar esqui aquático com alguns deles aos sábados à tarde.

Em uma manhã de domingo, cinco anos mais tarde, Don estava profundamente emotivo.

Procurou-me após o culto dizendo que tinha duas perguntas sérias que gostaria de me fazer há algum tempo e que, se eu pudesse responder a elas, ele se tornaria um cristão. Eu me senti exultante e perguntei quando ele queria conversar. Ele respondeu que o dia seguinte seria bom, porque ele estaria de férias toda aquela semana.

Cheguei à sua casa às duas horas e ele me expôs dois pontos críticos sobre o cristianismo. Acredite ou não, eu havia estudado ambos os pontos nos últimos dez dias! Conversamos por duas horas e meia. No final, perguntei-lhe se tinha mais perguntas a fazer, e ele disse que não, e que estava satisfeito com as respostas dadas.

“Don”, perguntei, “você está preparado para dobrar os joelhos comigo e convidar Cristo para entrar em seu coração?” Para minha surpresa, ele disse: “Bem, não quero ser precipitado e fazer as coisas correndo”. Saí de lá triste, na certeza de que a salvação é mais uma questão da vontade do que da mente.

Felizmente, Don continuou indo à igreja com sua esposa. Mais tarde, eles se mudaram da cidade e, dois anos depois de instalar sua família no norte do país, ele finalmente tomou a decisão que deveria ter tomado naquela segunda-feira à tarde, quase dez anos antes.

Permaneça Aberto à Verdade

Um dos versos clássicos de Shakespeare diz: “Sê verdadeiro para ti mesmo”. Durante toda a leitura deste livro, irei desafiá-lo a permanecer aberto à verdade, à evidência e à lógica. Tome cuidado para não se deixar influenciar por aqueles que se recusam a crer.

A fonte básica da evidência da vida de Jesus de Nazaré são os quatro evangelhos, sendo que três deles foram testemunhas oculares. Como você verá no próximo capítulo, estes registros históricos da vida de Jesus são os documentos mais confiáveis da antiguidade.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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