Estudos Bíblicos

O Corpo Um Organismo Vivo

O Corpo Um Organismo Vivo
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

A figura que o apóstolo Paulo usa para explicar a dinâmica da Igreja — o povo que adora a Jesus e faz dele o seu Senhor é o Corpo Humano. O apóstolo chama a Igreja de “o corpo de Cristo”. Então a Igreja é um organismo vivo!

Mas assim como uma só célula não constitui um corpo, da mesma forma uma pessoa isolada também não pode compor uma igreja. Muitas células fazem um corpo. Desse modo, muitos de nós, seguidores de Jesus Cristo, constituímos a Igreja.

E ela é composta de velhos, jovens, crianças e adultos; e de ricos, pobres, negros, brancos, indígenas, nativos, estrangeiros, diplomatas, analfabetos, cientistas e tecnocratas. Todos têm o seu lugar para “ser Igreja”. A única condição é que a pessoa seja nascida de novo e conheça a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

O corpo é um organismo vivo que interage consigo mesmo, isto é, ele funciona perfeitamente apesar da multidão de células diferentes que o compõem. Há células muito simples, pouco especializadas, cuja função é das mais “rudes”. Há, porém, outras células cuja função é das mais nobres!

As células, porém, necessitam umas das outras para sobreviverem, para que o corpo possa viver. Nem as mais simples podem deixar de existir, nem as mais complexas podem afirmar que das primeiras não necessitam. Não existe um órgão que seja independente de outro. Todos estão intrinsecamente interligados.

Deus ainda espera que sua Igreja funcione pelo poder do Espírito Santo que em nós habita. Este é o padrão bíblico, que só pode ser alcançado mediante o seu agir em nós, diante da nossa permissão de que ele atue conjuntamente conosco.

O Cabeça e o Corpo

Jesus é o Cabeça da Igreja.

O Pr. James Robinson, dos Estados Unidos, compartilhou uma visão acerca da Igreja. Certamente essa sua visão veio de Deus. Ele viu um homem deitado, com o corpo paralisado, completamente imobilizado. A cabeça queria que o corpo reagisse, se movimentasse, mas não podia. A cabeça comandava, mas a comunicação não chegava até as extremidades dos membros.

O corpo estava doente e a comunicação entre o comando do cérebro e os membros estava desligada. Aquele que estava paralisado dizia: “Eu não consigo mover-me. Dou um comando, mas o corpo não reage.” E James interpretou dizendo que assim estava o corpo de Cristo: imobilizado. Embora a cabeça comandasse, o corpo estava impossibilitado de reagir.

O Cabeça emite ordens, mas o corpo não está respondendo ao comando, porque não consegue ou porque está se recusando a ouvir, e seus nervos parecem estar desligados. Assim ele está paralisado. E um corpo que tem que ser curado. Ele precisa ser curado.

Como pode um corpo tornar-se doente assim? Em se tratando do corpo de Cristo, é através do pecado. Mas, de que pecado? E o pecado de suas células não permanecerem juntas e agirem independentemente umas das outras, como se as outras não existissem.

O sentimento de egoísmo, de individualismo, de independência é algo quase que inerente ao ser humano. Cada um de nós faz questão de ser EU. Centralizamos todas as coisas em nós. Queremos ser o centro das atenções de todos. Queremos ser o deus das situações. Nós nos tornamos, assim, independentes do Cabeça e, em conseqüência, separamo-nos uns dos outros.

A verdadeira unidade entre os membros não é algo fabricado. Mas é algo que vem mediante a ligação vital e fundamental entre os membros com a cabeça. A unidade que existe entre os membros de um corpo é algo inerente à própria natureza fundamental do seu ser. Sem unidade e sem interdependência não é um corpo.

Quando Jesus ilustra a relação que tem com os membros, ele menciona a figura da videira e os ramos.

          “Eu sou a videira verdadeira; e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto  limpa, para que produza mais fruto ainda.” (Jo 15:1-2)

Estes versículos aparentemente não têm nada a ver com a figura do corpo. Mas, para haver um corpo, tem de existir uma ligação íntima entre a cabeça e o restante do corpo.

E este versículo mostra a ligação vital entre a videira (Jesus) e os ramos (nós, que pertencemos ao corpo). A seiva da videira terá de correr para cada ramo, isto é, para cada membro. Se cada membro do corpo conectar-se corretamente com a Videira, receberá a sua seiva natural, e a vida de Cristo se transmitirá para todos.

Unidade Orgânica

E, neste viver, teremos de conviver em paz, cedendo o que é nosso aos irmãos. E nem sempre é fácil fazer isso. Mas se estivermos ligados corretamente na cabeça, na videira, certamente a vitalidade e a vida que está no Cabeça renovará e santificará a nossa natureza também.

Porque, se não fosse assim, estaríamos negando a natureza básica de ser igreja, de ser um corpo, com células que se interligam com os tecidos, formando os órgãos, os quais constituem um sistema que funciona como uma unidade orgânica e integrada chamada corpo.

          “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.

Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1 Co 12:4-7:12-13)

É interessante o paralelo que o apóstolo estabelece entre os dons do Espírito Santo e a unidade e a diversidade que há no Corpo. Pois os dons, os serviços e as manifestações são diferentes, mas todos procedem do mesmo Espírito.

O apóstolo Paulo está dizendo que há uma variedade rica de células, de tecidos, de aparelhos, de órgãos e de sistemas com funções diferentes entre si e, no entanto, nenhuma das partes tem que se preocupar em ser igual às outras. Muito pelo contrário, cada parte está perfeitamente adequada e satisfeita com suas próprias funções dentro do Corpo.

          “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? (I Co 12:14,19)

Para completar a idéia de maneira perfeita e magistral, o apóstolo faz uma observação perspicaz:

          “Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra. “( 1 Co 12:22-23)

Bem ao contrário dos que dizem: “Louvados sejam os fortes e destruídos os fracos”, o Corpo de Cristo é um corpo que necessita dos fracos e dos que aparentemente são indecorosos ou indignos.

Estes transformam-se em instrumentos maravilhosos onde a paciência e a longanimidade dos que se dizem mais dignos são testadas, e assim tornam-se os meios que são necessários para a santificação de muitos.

E, também, é nos que se reconhecem como fracos que o poder de Deus é aperfeiçoado. A glória de Deus é manifestada não nos que se dizem serem os bons e os melhores, mas nos que aparentemente são indecorosos, indignos, rejeitados e esquecidos. Pois aí está a maior demonstração do amor de Deus, amar e aceitar os  indignos e os sem merecimento.

          “Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. “(1 Co 12:25-27)

E ainda, dentro desta visão, Paulo afirma uma coisa que pouco vemos em nossos dias. Se um membro padece, todos os membros padecem com ele. Se um membro peca, é como se fôssemos todos nós pecando juntos. Se um membro resiste à tentação e tem a vitória, a vitória deve ser compartilhada por todos, como se fosse de todos.

Hoje em dia o que mais vale é o velho lema: “Cada um por si, e Deus por todos”. Eis aí um ditado muito popular, mas bem pouco cristão. Temos, portanto, de tratar não apenas do pecado individual, mas também do pecado corporativo (do corpo).

Philip Yancey, como médico e pesquisador de enfermidades e biólogo, descreveu de maneira interessante a função de uma célula em relação ao corpo humano: “A célula é a unidade básica de um organismo; ela pode viver por si própria, ou pode ajudar a formar e sustentar o organismo.

Algumas células até preferem de fato viver no corpo, compartilhando dos seus benefícios, mas mantêm, ao mesmo tempo, completa independência; mas elas se tornam parasitas e cancerosas.” (Yancey, Philip — As Maravilhas do Corpo; Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1989, p.20.)

Diversidade

Paulo explica a figura do corpo:

          “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: ‘Porque não sou mão, não sou do corpo’; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: ‘Porque não sou olho, não sou do corpo’; nem por isso deixa de o ser.

Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. Não podem os olhos dizer à mão: ‘Não precisamos de ti’; nem ainda a cabeça, aos pés: ‘Não preciso de vós’.” (1 Co 12: 14-17, 20-21)

E ele conclui:

          “Assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só “Espírito.” (I Co 12:12-13)

A diversidade que Deus planejou para o Corpo de Cristo é ilustrada de maneira espetacular pelas diferenças que há nos membros do Corpo. Deus não fez nada monótono. Há muita diferença entre um e outro. Há uma grande diversidade, embora haja unidade.

Nenhum órgão é igual a outro, e nenhum aparelho ou sistema é a cópia de outro. Deus criou cada parte diferente, com funções tão ricamente complementares, umas das outras e, no entanto, ao mesmo tempo cada uma tão dependente das demais que, sem essa dependência, a sobrevivência de todas estaria comprometida.

Sim, Deus as dispôs de uma maneira muito criativa, fazendo com que uma parte necessite da outra, tendo funções totalmente diferentes entre si. A diversidade dos membros vem exatamente confirmar o fato de que não esteve nos planos de Deus para eles a monotonia e a uniformidade. Deus não fabrica coca-colas!

Todos nós temos um DNA de Jesus, uma vez que nascemos do Espírito, e isso nos vai levar a sermos cada dia mais parecidos com o Senhor, se cooperarmos com Deus. E, somos, como pessoa, indivíduos singulares e únicos no universo.

A única preocupação dos membros do corpo de Cristo deve ser a de se tornarem parecidos com Jesus. Por isso ninguém tem que copiar ninguém.

Deus nos fez diferentes uns dos outros para que possamos enriquecer. E a virtude está na diferença e na diversidade para podermos complementar um ao outro. E, Deus, na sua infinita sabedoria e capacidade, destacou para cada pessoa uma função diferente, um papel diferente. O mais importante é então descobrir o que Deus tem para cada um de nós.

Diante de Deus não existe uma “elite espiritual”, não há ninguém mais espiritual ou menos espiritual. Não há partidarismos, não há predileção nem privilegiados. A verdade simples é que Cristo é o Cabeça e nós somos o seu corpo.

Deus conhece cada um de nós tão íntima, completa e perfeitamente que o seu plano para cada um de nós é maravilhoso. E este plano foi feito de maneira a haver uma harmonia entre todos os membros de Cristo, se cada um andar dentro do padrão que o Senhor planejou.

Se todos nós formos suficientemente maduros, em completa obediência a Deus, numa perfeita aceitação do que ele quer de nós, viveremos muito bem uns com os outros.

Se nos conformarmos à sua vontade e ao lugar que ele separou para cada um de nós no corpo, não haverá idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, e outras coisas semelhantes a estas.

Muito pelo contrário, estaremos felicíssimos, pois o pensamento de Deus para conosco é paz. O que devemos procurar é descobrir qual é perfeita vontade de Deus para nós.

No corpo somos um. Pertencemos uns aos outros e não há como fugir. Pertencemos aos crentes do Canadá, da Nigéria, da Austrália e das ilhas Fiji. Somos um no Senhor, embora cada qual seja diferente dos demais, e sejamos uma unidade perante Deus.

Assim, a vergonha do meu irmão é vergonha minha também, e o meu pecado é pecado do meu irmão.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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