Estudos Bíblicos

Definindo o Pecado

Definindo o Pecado
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

É muito importante entendermos também o que é o pecado. Acredito que estaríamos sendo muito superficiais e até mesmo injustos definindo o pecado simplesmente através de uma lista legalista de “não podes”.

Vamos, portanto, estabelecer a definição de pecado a partir do nosso relacionamento com os nossos sentimentos e desejos juntamente com o respectivo efeito colateral disto, ou seja, “quem governa quem?” Governamos nossos desejos ou nossos desejos nos governam, ou melhor, nos desgovernam?

Paulo aborda esta questão de uma maneira muito clara: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém: todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”. (I Co 6:12)

Portanto, pecado é o resultado de falharmos diante deste conflito: Dominamos sobre nossos desejos e sentimentos ou somos dominados?

Desejos x Leis

É bastante simples: Deus não apenas nos criou desmedidamente dotados de desejos e sentimentos. Ele nos fez, à sua imagem e semelhança, como seres morais responsáveis pelo nosso comportamento. Nossas escolhas fatalmente vão determinar o nosso caráter e destino.

Concluí-se facilmente, então, acerca da importância de algo que possa controlar e manter esta potencialidade de desejos, apetites e sentimentos fora de uma zona de risco.

Ou seja, para todos desejos são necessários limites. Amor é a justa medida de afeição e limites. Afeição sem limites é sensualidade e limites sem afeição é legalismo. Estes limites são definidos através de leis, as quais, na motivação divina, possuem não um caráter negativo, mas protetivo.

A lei, quando obedecida, tem a capacidade de salvaguardar nossas vidas, nossos direitos e relacionamentos em todos os níveis. Obediência à lei significa amor ávida.

Certa vez visitei um país que vinha enfrentando vários anos de guerra civil e pude entender profundamente o valor da lei e da ordem. Qualquer situação de guerra passa a valer a lei do mais forte. Pessoas freqüentemente eram extorquidas pelas próprias autoridades e simplesmente não havia para quem reclamar.

É um mal estar terrível. Uma sensação de total impotência e raiva ao mesmo tempo. A falta de limites produz um clima de medo e insegurança que destrói a confiança e alimenta o ódio traumatizando a capacidade de relacionar.

Tente imaginar uma sociedade que inconstitucionalizou os dez mandamentos e passa a valer tudo: adorar a demônios e ídolos, mentir, roubar, extorquir, adulterar, violentar, matar, etc, e simplesmente não existe ninguém que possa por um limite nestas coisas. Obviamente que ninguém teria um milímetro de segurança ou privacidade.

Quando não há limites para os desejos, não há dimensão para o mal e a injustiça.

As formas da lei

Estas leis, às quais nossos desejos devem estar submetidos, se expressam sob duas formas: “Ouviste que foi dito (1) aos antigos… Eu, porém, vos digo (2) que…” (Mt 5:21,22)

1. A forma exterior através da lei moral de Deus primeiramente expressa no decálogo e posteriormente revelada na encarnação do verbo divino: Jesus, o Evangelho em pessoa. Jesus não veio apenas dizer uma mensagem à humanidade, ele veio ser a mensagem.

2. A forma interior através da nossa consciência -“… Os        quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”. (Rm 2:15)

Jesus interiorizou a forma exterior da lei, estabelecendo um nível de obediência na profundidade das nossas intenções mais íntimas.

A força da Lei

“Não me temereis a mim, diz o Senhor, não temereis diante de mim, que pus a areia por limite ao mar, por ordenança eterna, que ele não traspassará? ainda que se levantem as suas ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não a traspassarão”. (jr 5:22)

Deus está dizendo que desobedecer aos limites que ele estabeleceu para os nossos desejos é uma maneira de violentar nossa própria natureza. É como dar murros em pontas de faca.

Por mais que as ondas do mar bramem e estourem, elas não ultrapassam o limite das praias, entretanto, o homem que não teme a Deus simplesmente ignora as leis, traspassa os mandamentos, e fatalmente sofre a pena. Apesar do mundo espiritual não ser imediato, ele não tolera a impunidade.

Pela ótica de Deus, que possui não só um mero ponto de vista do nosso mundo, mas a vista de todos os pontos, não é o homem que quebra a lei, mas é a lei que quebra o homem: “Tomará alguém fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem? Ou andará alguém sobre as brasas, sem que se queimem os seus pés?” (Pv 6:27,28).

Ou seja, existe uma lei da termodinâmica que diz que, se você colocar sua mão no fogo, vai se queimar. Você pode até tentar provar o contrário, mas não é aconselhável.

Assim como existem leis físicas, existem também leis espirituais. Lei é lei e tem penalidades imperdoáveis por definição. A lei não entende suas boas razões, não perdoa, não regenera, não aconselha, não dá uma segunda chance. O ministério da lei é definir a transgressão bem como sua justa condenação.

Não se iluda pensando que o mundo espiritual tolera a impunidade. O próprio Jesus disse:”… A pedra que os edificadores reprovaram, essa foi feita cabeça de esquina. Qualquer que cair sobre aquela pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair será feito em pó”. (Lc 20:17,18)

A proteção da lei

A lei protege. Ao definir a transgressão, ela estabelece um lugar seguro para as nossas vidas e relacionamentos. Este chavão que diz: “É proibido proibir”, pode ser traduzido como: “É permitido sofrer”.

O pecado é concebido quando nossos desejos e sentimentos ultrapassam os limites estabelecidos pela lei, ou seja, na linguagem paulina, quando a carne usurpa o governo do espírito. O pecado, portanto, nada mais é do que um desejo que não está sujeito ao governo espiritual da lei.

Quando um desejo é submetido aos limites estabelecidos pela lei divina, podemos mantê-lo numa posição de equilíbrio. Embora nossos desejos sejam normais, e criados por Deus, se nós abusarmos deles, eles se tornam em hábitos pecaminosos nos subjugando a uma intimidante escravidão.

Portanto, quando uma pessoa extrapola os limites da lei, sendo subjugada pelos seus desejos, estará pisando num território muito perigoso, denominado pecado, um lugar de morte e destruição cujo dono é o próprio diabo. A autoridade que o diabo consegue sobre as nossas vidas é proporcional aos nossos próprios pecados ainda não resolvidos pelo sangue de Jesus.

Estes hábitos pecaminosos contra a vontade de Deus não são vencidos automaticamente em virtude da experiência de salvação. É indispensável tomarmos uma séria posição espiritual Desta forma, podemos mantê-los no equilíbrio necessário através da disciplina em obediência ao Espírito Santo, o que geralmente se consegue num tempo menor que imaginamos.

Por isto não devemos nos intimidar achando que não conseguiremos vencer em áreas de total descontrole. O papel da graça de Deus não é apenas comunicar perdão, mas principalmente nos capacitar para uma vida de domínio sobre o pecado.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

Deixe um comentário