Estudos Bíblicos

A Doutrina de Balaão

A Doutrina de Balaão
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

O encantamento que valeu contra Israel

“Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel: (Nm 23:23)”

É necessário avaliarmos essa famosa declaração que Balaão fez, quando Balaque, rei dos moabitas o assalariou para amaldiçoar os filhos de Israel. O que você acha? O encantamento de Balaão valeu ou não contra Israel? O que na verdade aconteceu? Será que existe algum tipo de encantamento que pode ter efeito sobre a igreja?

Surpreendentemente, o que constatamos no decorrer dos fatos é que esta palavra não se cumpriu a favor de Israel. Balaão adivinhou o encantamento diante do qual Israel sucumbiu. O encantamento da sensualidade proposto por Balaão a Balaque contra Israel surtiu um efeito devastador. Vamos entender como isto se deu.

Aparentemente, nada poderia afetar Israel, como a princípio o próprio Balaão imaginou. Israel, indubitavelmente era o instrumento do juízo de Deus. Após aproximadamente quatrocentos anos de paciência, o momento havia chegado. Aquelas nações localizadas na terra de Canaã, juntamente com seus falsos deuses seriam justamente julgados.

Estas nações, além de terrivelmente violentas e guerreiras, mantinham práticas demonistas tais como sacrifício de crianças, canibalismo, prostituição cultual, necromancia, adivinhação, e outras abominações.

O acúmulo de injustiça praticada era intolerável. A terra de tanta contaminação estava vomitando seus habitantes, e Israel estava ali para expulsá-los, redimindo a terra e tomando posse da mesma.

A começar pelo Egito, a superpotência mundial da época, que tratara soberbamente os filhos de Israel (Ne 9:10), grandes reis estavam sendo vencidos e seus falsos deuses humilhados. Todas estas nações cananéias estavam temendo e tremendo diante da expectativa de uma destruição eminente.

Balaque, rei de Moabe, ao perceber que não podia enfrentar Israel recorreu ao profeta Balaão tentando alguma resposta sobrenatural. Diante da recusa deste, foi insistentemente aumentando sua oferta até conseguir subornar e arrancar de Balaão, o profeta de Deus, um grande trunfo do diabo: o encantamento da sensualidade.

A receita do feitiço se resumia num conselho sutil que consistia no simples fato das moabitas seduzirem os filhos de Israel. Eles seriam envolvidos sentimentalmente e consequentemente seduzidos pela imoralidade e idolatria.

Para isto, os moabitas se mostraram amistosos e a idéia de uma “grande festa de arromba” com a participação em massa das jovens moabitas foi imediatamente aceita por Israel.

Assim, o rei Balaque liberou o espírito de perversão sexual que se alojara desde os fundadores da nação. Moabe era filho de uma relação incestuosa entre Ló e uma de suas filhas. Balaão simplesmente ensinou a Balaque como se infiltrar em Israel através desta maldição. Da mesma forma como as filhas de Ló o seduziram, agora a situação se repetia com Israel.

A Síndrome de Balaão

Um profeta de Deus, ou alguém que têm esta vocação quando se corrompe, acaba perdendo o discernimento a tal ponto de se tornar um feiticeiro. À medida que sua luz se transforma em trevas, ele vai sendo sutilmente transferido de reino. Um feiticeiro nada mais é que um profeta corrompido inspirado por motivações pecaminosas.

Esta foi a dramática história de Balaão, um profeta do Senhor em Moabe, que seduzido pela avareza, insurgiu através do encantamento da sensualidade contra o povo de Deus. Ao aconselhar a sensualidade, acabou dando uma rasteira em si mesmo e foi fatalmente derrubado por este espírito.

O erro de Balaão:“… se precipitaram no erro de Balaão…” (Jd 11)

Balaão estava errando de espírito. Corrompeu-se nas suas motivações. Como profeta, ele estava forçando a barra para amoldar a palavra de Deus às suas conveniências. Ele insistiu contra uma verdade revelada. Foi obstinado.

Deus já havia deixado muito claro que ele não deveria ir com Balaque (Nm 22:12), mas mesmo assim ele continuou perguntando à Deus, em virtude da insistência de Balaque, se ele poderia ir. Estava resistindo a uma orientação clara de Deus.

Existe um grave princípio espiritual que diz o seguinte:”… Assim diz o Senhor Jeová: Qualquer homem da casa de Israel, que levantar os seus ídolos no seu coração, e puser o tropeço da sua maldade diante da sua face, e vier no profeta, eu, o Senhor, vindo ele, lhe responderei conforme a multidão dos seus ídolos”. (Ez 14:4)

Foi exatamente o que aconteceu com Balaão, apesar de ser um profeta. Depois de tanta insistência ele acabou ouvindo de Deus o que ele queria ouvir: “Se aqueles homens vierem te chamar, levanta-te, vai com eles;..” (Nm 22:20). Isto literalmente quase de imediato custou sua vida.

Acabou sendo salvo pela sua jumenta que ainda o repreendeu falando com voz humana, que foi uma maneira divina de enfatizar o grande erro que Balaão estava cometendo. Quando um ser humano precisa ser repreendido por uma jumenta, temos o cúmulo da obstinação.

O caminho de Balaão

“Abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça”. (II Pe 2:15)

Diante de tantas coisas que estavam sendo acrescentadas como recompensas, Balaão se vendeu. Mercadejou a palavra de Deus, corrompeu seu ministério, adulterou com Mamom, se deixando contaminar pela cobiça e avareza. Como Pedro bem coloca: ele amou o prêmio da injustiça, o salário da fraude, pelo qual acabou sendo defraudado e morto.

Uma das versões contemporâneas de Balaão são aqueles “profetas” que insistem em manipular a vida sentimental das pessoas em troca de favores escusos. Deixam-se alugar, pela atenção, prestígio, afirmação e até mesmo pelas ofertas das pessoas em troca de lhes dizer “da parte de Deus” o que elas querem ouvir.

O conselho de Balaão

“Eis que estas foram as que por conselho de Balaão deram ocasião aos filhos de Israel de prevaricar contra o Senhor, no negócio de Peor. pelo que houve aquela praga entre a congregação do Senhor”. (Nm 31:16)

O poder da sensualidade como uma das mais fortes oportunidades demoníacas de seduzir os filhos de Deus à prevaricação.

Toda tentativa de controlar ou manipular a vida das pessoas é feitiçaria. No reino de Deus, liderar é servir. No reino do diabo, liderar é controlar.

Quando um líder controla as pessoas, elas se tornam rebeldes, quando ele serve as pessoas, elas se tornam adoradoras. Por trás de todo feiticeiro sempre existe um perfil de liderança possessivo e controlador.

E isto não é só uma questão de “estilo” de liderança, mas de “espírito” de liderança. São pessoas que estão amarrados pela rejeição e insegurança que vem de traumas ainda obscuros e não resolvidos.

Balaão ensinou ao Rei Balaque uma técnica implacável de controle através da sensualidade. Primeiramente, fez das mulheres de Moabe suas marionetes, garotas de programa, as quais cantaram e encantaram os homens de guerra de Israel. Israel foi vencido por um exército de mulheres! Como aquilo foi fácil para o inimigo!

Esta tem sido a mesma estratégia de satanistas infiltrados ou pessoas inconscientemente enviadas por demônios que da mesma forma se infiltram para desmoralizar líderes e destruir igrejas.

A doutrina de Balaão

“Mas umas poucas de coisas tenho contra ti: porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem”. (Ap 2:14)

O conselho de Balão através da sensualidade foi tão estrategicamente nocivo e sedutor, que acabou sendo transformado em uma doutrina do inferno denunciada por Jesus quando ele se refere aos problemas da igreja em Pérgamo. De fato, a sensualidade tem se tornado um ataque generalizado contra o corpo de Cristo.

A conclusão fatal é que o encantamento causado pela sensualidade valeu. Os filhos de Israel foram enfeitiçados. Fascinados com as moabitas, se corromperam e conseqüências severas irromperam sobre a congregação.

Uma grande praga se alastrou no povo matando em torno de 24 mil pessoas. Líderes foram enforcados e mortos, e outros foram mortos pela espada dos próprios irmãos. Aquela festa extasiante terminou com um velório nacional.

Estes textos evidenciam a sensualidade como um dos ataques mais fulminantes de Satanás contra o povo de Deus.

Eles expressam o nível de eficiência do engano inerente à sensualidade, como que um poder místico de encantamento que seduz as pessoas a praticarem coisas que contrariavam:”? Israel deteve-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas. E convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses, e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses”. (Nm 25:1,2).

O que poderia fazer um israelita, depois de todos feitos de Deus no Egito e no deserto, a adorar um deus cananeu e comer sacrifícios de mortos? Aqui entendemos a magia demoníaca da sensualidade.

Este é um dos pontos mais críticos e severos de batalha espiritual. Por incrível que pareça, depois de tantos milagres e vitórias tremendas, os israelitas foram terrivelmente derrotados por um conselho sutil, mas mortal.

Nada mais, nada menos, que um apelo ao prazer, uma negociata com os princípios de Deus em prol de conforto sentimental. Acabaram espiritualmente envenenados, derrotados e mortos em milhares, desde simples cidadãos a grandes líderes em Israel, os cabeças do povo (Nm 25:3-9).

Uma atitude Radical – O Zelo de Finéias (Nm 25:6-13)

Conselheiros, líderes ou aqueles que estão imbuídos de tratar com os problemas das pessoas precisam ter o discernimento de serem radicais com este tipo de sedução e pecado.

Esta é a única maneira de prevalecer contra este tipo de inimigo: “Disse o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os ao Senhor diante do sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel. Então Moisés disse aos juizes de Israel: Cada um mate os seus homens que se juntaram a Baal-Peor” (Nm 25:4,5).

Este é um dos textos mais radicais da Bíblia. Entendemos que a natureza da nossa batalha é espiritual e não requer lutar contra carne e sangue. A intenção divina é manifestar dramaticamente que a sensualidade é uma questão de vida ou morte espiritual, ministerial e eterna.

Precisamos chamar o pecado de pecado, evidenciando que não se pode estar no corpo de Cristo ou ativo ministerialmente em conivência com a sensualidade e seus subprodutos. Será só uma questão de tempo e este espírito impiedoso lançará estas pessoas num lugar de assolação.

Tantos são os fatos e situações que mostram um grande número de pessoas, dentre as quais muitos líderes, que tem sido induzidos à apostasia de maneira sutil e gradativa por não suportarem a pressão de pensamentos viciosos de imoralidade ou desilusões sentimentais, e tantos que permanecem apostatados dentro da igreja sob a anestesia demoníaca deste feitiço sensual.

Pessoas que apesar de estarem assistindo religiosamente os cultos, já desistiram a muito tempo de uma vida comprometida com a justiça e o reino de Deus. Encontram-se prostrados num padrão sensual e egoísta de relacionamentos, subjugados a um evangelho secularizado.

Indivíduos que não tem o Espírito e que apenas causam divisões (Jd 19). Nunca são solução, mas sempre problema dentro da igreja. Apóstatas passivos. Os quais, tudo o que estão realmente fazendo é escondendo-se de Deus atrás de um rótulo denominacional, de uma identidade ministerial ou até mesmo de uma posição: pessoas derrotadas, falidas espiritualmente pela sensualidade.

Esta não é uma colocação num tom de condenação, mas precisamos acordar, como Igreja do Deus Vivo e como líderes, para um mau generalizado que está debaixo dos nossos narizes, e mesmo assim a maioria não parece entender ou se importar.

Jesus declara em Ap 2:14 que o diabo tem estabelecido o seu trono em Pérgamo, onde se permite a doutrina de Balaão, onde se permite a permissividade, principalmente relativa a este tipo de sincretismo, onde o genuíno amor tem sido misturado e confundido com uma paixão carnal e egoísta.

Jesus se revelou à igreja em Pérgamo como aquele que têm a espada de dois fios, para fazer separação entre o santo e o profano. Só pela palavra de Deus se pode estabelecer com discernimento os verdadeiros valores do reino de Deus que quebram os grilhões da ignorância espiritual e do encantamento da sensualidade e aí então, podemos ser transformados pela renovação da mente.

A sensualidade continua sendo uma das principais “porta dos fundos” que tem esvaziado espiritualmente e fisicamente muitas igrejas. Este tem sido o maior empecilho ao crescimento de igrejas.

Pastores não deveriam se preocupar tanto em qual será a nova estratégia para fazer a igreja crescer, mas o que está impedindo o crescimento natural da igreja? Muitos têm cometido graves erros aqui. Importam uma forma enlatada de crescimento sem o mover e a autorização de Deus, e o fracasso será apenas uma questão de tempo.

Muitos se desiludem amaldiçoando algo de Deus, só que não era para ele. Enquanto isto o ventre da igreja continua adoecido pelo quisto da imoralidade.

Esta mesma praga que atingiu Israel tem atingido a igreja com o fim de alertá-la, denunciando a contaminação com a imoralidade. Isto tem ocorrido com muitas igrejas onde milhares também estão morrendo. Isto só pode ser detido por pessoas zelosas que vão chamar o pecado de pecado e expô-lo, espremendo-o até as últimas conseqüências.

Algum tempo atrás, após terminar uma palestra, fui procurado por um rapaz. Ele não podia suportar mais sua própria situação e recorreu a mim. Podia ver o desespero nos seus olhos. Ele era líder de mocidade de uma grande igreja, tinha a apreciação e credibilidade de todos.

A uma certa altura, sua mente começou a ser invadida com pensamentos de homossexualismo. Por mais que ele detestava isto, aqueles pensamentos continuavam a persiguí-lo insistentemente.

Certo dia, numa daquelas ocasiões malignamente planejadas pelo diabo, quando já se encontrava debilitado espiritualmente, ele acabou cedendo e com isto sua vida começou a se transformar num inferno. Sua primeira atitude foi jurar para si mesmo que ninguém jamais iria saber daquilo. Estava muito envergonhado. Manteve-se normalmente no seu ministério e não procurou a ajuda de ninguém.

Sem perceber, o que ele realmente fez foi simplesmente apertar ainda mais as algemas que haviam sido colocadas nos seus braços. Pactuou-se com o ocultismo. Por mais que ele não gostasse do que fazia, não conseguia deixar de fazer.

Sua vida estava secando. Seu ministério na igreja estava acabado e não podia dizer isto a ninguém. Um peso de culpa esmagava impiedosamente a sua consciência. Com isto ele começou a se voltar contra Deus. Em lágrimas me disse que já havia escrito um caderno inteiro apenas brigando com Deus e tentando entender o porque daquilo tudo.

Depois de ouvir toda a sua história, mostrei a ele que este tipo de espírito se fortalece quando nos calamos, e que sem perceber ele fortaleceu seu pacto com esta entidade ao descartar a possibilidade de confessar seu pecado.

Então, ele fez a sábia escolha de humilhar-se. Junto com alguns de seus líderes ele confessou o seu pecado assumindo que a responsabilidade maior de tudo aquilo que havia acontecido era dele mesmo. Tratamos das raízes daquele problema.

Fizemos com ele a oração da fé, a oração de Elias. A chuva caiu sobre a terra seca do seu coração. Foi poderosamente visitado por ondas de avivamento. Seu rosto brilhava de alegria. Toda aquela opressão e depressão foram expulsas. Hoje, este precioso irmão se encontra na linha de frente de missões.

Como este, muitos casos ocultos de imoralidade estão destruindo muitos crentes, afogando muitas igrejas, sustentando divisão, maledicência, insubmissão, e muitos outros pecados de relacionamento que se despontam como efeitos colaterais.

Obviamente que Deus deseja abençoar nossos sentimentos. Ele é o principal interessado na nossa felicidade, que tenhamos um namoro feliz e sadio, bem como um casamento abençoado e sólido.

Mas, para isto, precisamos eliminar da nossa vida sentimental a toxina da sensualidade.

Não podemos inverter as prioridades, não podemos negociar princípios espirituais, ceder aos fortes apelos das emoções, ignorar os ardis e artimanhas demoníacas, antes é necessário posicionar e corresponder a toda verdade revelada com uma intenção real de obediência, e a graça de Jesus se manifestará em nós sempre na medida suficiente.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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