A Bíblia Não Diz

A Bíblia não diz que o Devorador e um espirito

A Bíblia não diz que o Devorador e um espirito
Wilson Lemos
Escrito por Wilson Lemos

Existe um demônio que ataca as finanças, o qual a Bíblia chama de Devorador, e que nenhuma oração ou jejum pode expulsar exceto o dízimo, certo? Errado.

A Bíblia nunca cita os gafanhotos agindo com base em nada mais do que as plantações, e não poderia ser diferente: eram pragas reais e não metafóricas, e os israelitas tinham uma economia baseada em agricultura e pecuária, e toda a prosperidade da nação dependia dessas duas coisas; portanto, ao enviar pragas para a lavoura, Deus feria-os naquilo que mais desestabilizaria o país.

Alguns evangélicos costumam enxergar nos gafanhotos descritos no livro de Joel e Malaquias como metáforas para demônios e prosperidade financeira. Mas uma olhada simples no texto prova que este não é o caminho mais natural e é necessário muito malabarismo para considerá-los assim. Vamos dar uma olhada em Malaquias 3.10-11:

“Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida. Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.”

Feito isso, vamos esclarecer três pontos:

1) Não existe nenhum espírito devorador.
Devemos notar nesse texto que a Bíblia não cita nenhum “espírito devorador”, como insistentemente o chamam alguns, mas simplesmente “devorador” (em hebraico “akal”, que quer dizer “comer”, “devorar” e a NVI traduz como “pragas”), que destrói as plantações e não é um demônio, mas algum tipo de bicho como uma larva ou um gafanhoto.

As bênçãos da Lei decorriam da obediência, e os castigos, consequentemente, da desobediência:

“Lançarás muita semente ao campo [Deus não impediria que eles plantassem]; porém colherás pouco [castigo], porque o gafanhoto a consumirá [causa da colheita mirrada]”. (Dt 28.38)

“O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor. [sucessão de pragas uma após a outra, sempre atacando a plantação]” (Jl 1.4)

Nos textos acima fica claro que a desobediência acarretava justamente no castigo de Deus sobre a nação. Embora Joel cite o “devorador” utilizando outra palavra em hebraico, a ideia condiz com a de Deuteronômio: as pragas são um castigo e não estão ligadas ao dízimo.

2) A prosperidade e restauração de Israel não estava ligada ao dízimo.
Os dízimos eram dados aos sacerdotes para que houvesse mantimento – mantimento de verdade, como comida – no templo. A décima parte das colheitas e cereal eram dadas para o sustento do sacerdote, que vivia apenas do que lhe davam e dos sacrifícios de comida que eram feitos.

Portanto, a urgência de Deus ao trazer os dízimos, como profetizado por Malaquias, era pra que os sacerdotes – que viviam exclusivamente daquilo que era trazido – não tivessem necessidades.

Portanto, a promessa de restauração é de pura misericórdia do Senhor, e não de uma dívida de qualquer forma. Em Joel não há nenhuma menção ao dízimo, e tudo ocorre pela graça de Deus. O próprio Joel diz isso:

“Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros.” (Jl 2.25) Por que motivo? “Então, o SENHOR se mostrou zeloso da sua terra, compadeceu-se do seu povo” (Jl 2.18).

Novamente, não há nenhuma promessa atrelada ao dízimo, e as pragas são repreendidas assim mesmo. E mesmo em Malaquias, onde Deus diz que repreenderá o devorador, Ele faz isso “por amor a vocês”, e não por causa do dízimo, embora a ação ocorra quando o povo se consertar, ou seja, voltar a obedecer.

3) E quanto a fazer prova de Deus?
Este é o ponto mais simples, e que demanda menos tempo. O próprio Deus manda prová-lo, ou seja, experimentar se esse fato é verdade ou não. Não há nada errado em provar a Deus, visto que o próprio Davi expressa no Salmo 34.8:

“Provai e vede que o Senhor é bom!”.

Porém, a validade da prova em Malaquias parece estar unida à condição de Deus fazer ou não o que promete. E como temos sempre certeza de que Ele sempre derrama sobre nós bênçãos sem medida, a prova perde necessidade.

Em resumo, o “espírito” ou “demônio” devorador não existe; a graça de Deus não depende do dízimo – ou não seria graça, mas dívida; e devemos confiar que Deus sempre supre as nossas necessidades e derrama bênçãos sobre nós de forma incontável e transbordante, todos os dias.

Duvidas, críticas e sugestões nos mande mensagem pessoal ou nos comentários.

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Deus nos guie pelo o que a Bíblia diz.

Sobre o autor

Wilson Lemos

Wilson Lemos

Meu nome e Wilson lemos,
sou evangelista formado em bacharel em teologia pelo instituto de teologia
SETAD.

Sou casado e tenho por missão ajudar você a crescer espiritualmente em conhecimento.

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